conheça a Reserva
Página inicial > Cultura > Artesanatos

Artesanatos

A produção artesanal de adornos e objetos de uso cotidiano sempre foi parte constituinte da cultura Pataxó, mas foi na década de 70 que essa atividade passou a ser uma importante fonte de renda para parte das famílias. É nesse período que a aldeia Coroa Vermelha começa a se estruturar e, concomitantemente, o litoral sul da Bahia torna-se um dos principais destinos turísticos do Brasil, aumentando a circulação de capital financeiro e social.

Há uma variedade de produtos artesanais produzidos pelos Pataxó, que podem ser caracterizados pelas matérias-primas utilizadas, retiradas especialmente da flora e fauna local, com a preocupação de realizar o extrativismo sustentável das mesmas.

Os padrões gráficos baseados em estudos da fauna local, como besouros e cobras, também singularizam sua produção artesanal, assim como a preocupação com a manutenção das características de rusticidade do produto, conforme salienta Capimbará, importante artesão de Coroa Vermelha.

As matérias-primas mais utilizadas são as madeiras oiticica, pati, arapati, aderno, cunduru, patiburi, jussara, pau d’arco, laranjeira e bambu; as sementes de tento, salsa, pakari, mauí, milagre, café-beirão, mata-passo, tiririquim, juerana, olho de pombo, olho de boi, pariri e sabão-de-macaco; e alguns cipós, como o cipó-caboclo. Com elas é que se produzem os cestos, balaios, caçoá e chocalhos de cipó; as gamelas, petisqueiras e figuras de animais de madeira; os colares e pulseiras de sementes; os adornos para o cabelo e brincos de madeira, sementes e penas de aves; e os maracás de coco e cabaça, além dos chocalhos de bambu.

Assim como quase todas as atividades produtivas pataxó, o artesanato também é uma atividade em que o processo produtivo é controlado autonomamente pelo núcleo familiar, sendo o produto final apropriado pelo chefe da unidade doméstica. No entanto, é difícil encontrar alguma dessas unidades capaz de controlar todo o processo produtivo tendo em vista o longo percurso que vai desde a aquisição da matéria-prima até a venda ao consumidor final.

Podendo ser dividida em quatro etapas básicas, a atividade artesanal inicia-se com a obtenção da matéria-prima e segue para a produção efetiva, o acabamento e a comercialização do produto. De maneira geral, desde a coleta de matéria-prima até a venda do produto totalmente acabado, o processo envolve vários produtores que se configuram enquanto unidades familiares autônomas, mas que pertencem à mesma família extensa ou ao mesmo conjunto de famílias extensas. Essas redes de relações são importantes para viabilizar a aquisição de determinadas matérias-primas (em especial, as madeiras) que só são encontradas nas aldeias mais distantes dos melhores pontos de venda, como a aldeia Boca da Mata, situada no Monte Pascoal, e também para escoar produtos.

Alguns objetos importantes para os Pataxó: O maracá

O maracá é um instrumento sagrado para o povo Pataxó, que os acompanha no momento dos rituais internos e externos da aldeia. É como uma espécie de um globo, uma cabeça humana, onde os conhecimentos, saberes e riquezas ficam armazenados em cada Pataxó, crianças ou adultos, que os possuem. O maracá é o companheiro de viagens, manifestações, lutas, assim como o tupsay e a borduna, ou seja, os Pataxó e o maracá são inseparáveis.

Os Pataxó confeccionam e produzem os maracás de coco e cabaça; existem maracás com detalhes Pataxó e os rústicos. Neles são colocadas as sementes de tento e, às vezes, o próprio tento. Há também os maracás produzidos para comercialização em barracas e lojas. Esses maracás também são feitos com cocos, cabaças e com pequenos pedaços de cipó e bambu e raízes de mangue.

Esse instrumento é produzido por técnicas manuais bastante cuidadosas para que saia em estado perfeito. Até porque é confeccionado por elementos compostos da própria natureza, como o coco, a cabaça, sementes, cordas de imbiriba e o apoiador de mão também da natureza, pois é ele que entoa e sintoniza os sons do ritual do awê.

Assim, o maracá é um dos instrumentos Pataxó que se deve manter o respeito e o cuidado: ele não deve ficar exposto em qualquer lugar, nem ser emprestado. No momento em que se bate ou toca o maracá, os Pataxó estão convidando os anciãos e os antepassados para festejar com eles aquele momento. Esses contatos com os elementos da natureza os deixam mais fortalecidos.

O cocar

O cocar é também um instrumento sagrado para os Pataxó, porque tem um grande valor e serventia para cada um deles. Antigamente, o cocar dos Pataxó era feito apenas com duas penas de papagaio: colocava-se uma de um lado e a outra do outro, amarradas na palha. Algumas mudanças ocorreram na forma de fazer o cocar e hoje em dia os Pataxó usam mais penas coloridas. Assim ele é atualmente confeccionado com penas de chukakay (galinha), fibra de palha de aricuri (coco de praia) e alguns materiais de não índios, como a cola para colar as penas.

Há vários tipos de cocares feitos e usados de maneiras diferentes pelos Pataxó. O cocar de uso pessoal tem um sentido e uma simbologia muito forte em ocasiões diferentes e em membros com funções diferentes. Isso quer dizer que para um membro usar dentro da comunidade um cocar com apenas uma pena, duas penas, ou três penas na frente do cocar, em destaque, significa que ele é um cacique, ou um chefe comunitário de alguma instituição. Quando a pessoa não exerce nenhuma função, ela usa cocares simples de acordo com seu gosto.

Cada membro indígena Pataxó não deve vender o seu cocar de uso pessoal, nem emprestá-lo para outras pessoas, nem deixar em qualquer lugar, como forma de desprezo, pois o cocar para o povo Pataxó é um amigo e um parceiro nos momentos de cerimônias e rituais para trazer força e energia mental, física e espiritual.

O colar

Adereço sagrado para os Pataxó, o qual se tem um grande respeito. Cada lugar tem os seus colares de uso diário, em seus rituais, cerimônias, trabalhos e em outros eventos. O colar ou masaká é um adereço feito pelos Pataxó para o uso cotidiano. Cada membro de uma comunidade indígena, por sua vez, tem que ter os seus colares.

Os colares Pataxó são criações de sementes oferecidas da natureza, da Mãe Terra. Os colares são feitos com sementes como: pariri, tento, matapasso, olho de pombo, juerana, salsa da praia, mauí, café-beirão, pakari, milagre etc. Para ficarem mais bonitos, também são usados como enfeites ossos, madeirinhas, penas, linhas de tucum e linhas de nylon.

O uso dos colares no pescoço pelos Pataxó tem um fundamento forte, eles estão se protegendo de alguma coisa ruim: olho gordo, mal olhado e outros males. Assim, da mesma maneira como ocorre com o maracá, os colares de uso pessoal não podem ser vendidos, dados ou emprestados a outras pessoas, pois eles são adereços abençoados pela natureza viva.

Os colares Pataxó são como se fossem uma corrente de união entre sementes e cores da terra, assim é a comunidade indígena.

A tanga

A tanga é uma vestimenta de muito valor e respeito para os Pataxó. É uma vestimenta de uso pessoal utilizada em momento ritual, em batalhas, e é sua companheira em todos os lugares. Cada etnia tem a sua vestimenta com estilos e formas diferentes de serem feitas e usadas. A tanga Pataxó é feita de biriba, uma espécie de árvore da mata, e também de taboa, vegetação encontrada nos brejos. O nome dado a essa vestimenta em Pataxó é ‘tupsay’, que significa ‘roupa’.

A tanga de biriba é como qualquer outro adereço, ou instrumento Pataxó: não deve ser emprestado, vendido, ou deixado de qualquer jeito, pois ela, juntamente com outros instrumentos indígenas, deixa os Pataxó mais fortalecidos e protegidos contra coisas ruins.

Hoje em dia só os Pataxó da região da Bahia usam e fazem as tangas de biriba. Mas também se comercializam as tangas de taboa para o uso de qualquer pessoa.

O arco

Instrumento de defesa e de caça, os arcos Pataxó são feitos de três espécies de árvores, como pau d’arco, laranjeira e pati. A corda é trançada com imbiriba, árvore da floresta que possui fibra muito resistente. Antigamente, os Pataxó utilizavam os arcos para lutar, caçar e pescar. Hoje, no entanto, esse instrumento é utilizado na comunidade Pataxó para ser comercializado, decorar a casa e disputar torneios indígenas de arco e flecha. Mas mesmo ele não sendo mais utilizado pelos Pataxó, muitas etnias ainda o utilizam para caça, pesca e luta.

Para fazer um arco, ele deve ter a companhia das flechas, porque não se usa arco sem flecha e nem flecha sem arco. E as flechas são feitas com ponta de ossos para uma melhor perfuração.

Tibero

O tibero feito de madeira, é usado pelos Pataxó para incensar e afastar as influências negativas. Colocam-se ervas, amesca e sementes como imburana, entre outras.

Povo Pataxó. Inventário Cultural Pataxó: tradições do povo Pataxó do Extremo Sul da Bahia. Bahia: Atxohã / Instituto Tribos Jovens (ITJ), 2011.
1. Pataxó – Bahia. 2. Povos indígenas. 3. História. 4. Cultura. 5. Autonomia. I. Coordenação de Pesquisa da Língua e História Pataxó – ATXOHÃ.

ComentarComentar

O3Spaces-3 O3Spaces-3 O3Spaces-3 O3Spaces-3