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Festas Tradicionais

Saiba mais sobre as celebrações que ocorrem nas aldeias do extremo sul da Bahia.

Dia do Índio

19 de abril ficou consagrado como o Dia do Índio porque, em 1940, aconteceu o primeiro Congresso Indigenista Interamericano, em Patzcuaro, México. Nesse Congresso, houve a participação e aprovação de recomendações propostas por delegados indígenas do Panamá, Chile, Estados Unidos e México.

Esta data não é uma verdadeira comemoração, como consta na versão de muitos não índios, nos livros didáticos utilizados em suas escolas. Esse dia permite e favorece um momento de reflexão para mostrar a resistência dos povos indígenas, suas lutas e movimentos, baseados em perdas, sofrimentos, persistência e conquistas. Por isso, neste dia os Pataxó organizam passeatas e manifestações pacíficas com faixas, cartazes e caminhadas tanto dentro da aldeia, quanto fora, com a participação de diversas aldeias da região que vêm participar também dos Jogos Indígenas Pataxó de Coroa Vermelha.

Mas a comemoração desse dia não se limita às atividades realizadas na aldeia Coroa Vermelha. Tanto em Barra Velha, quanto na Aldeia Velha há a realização de manifestações e atividades de reafirmação das tradições, cultura e história das comunidades. Particularmente, na Aldeia Velha, após o assassinato do índio Galdino Pataxó em Brasília, que foi queimado de uma forma brutal em um ponto de ônibus, a festa do índio passou a ser realizada no dia 29 de abril, quando se realiza também a Festa da Retomada da Aldeia Velha.

Aragwaksã

Desde 1999, no dia primeiro de agosto, é comemorado na Reserva da Jaqueira na Aldeia Coroa Vermelha, o ARAGWAKSÃ, um ritual tradicional do povo Pataxó, ele que todos se reúnem para fortalecer a sua comunidade e os seus espíritos enquanto guerreiros. Esse fortalecimento ocorre por meio das danças, dos cantos, ao som dos maracás e das pisadas firmes sobre a terra, que não são para destruí- la, mas para reconhecer que é dela a força, o alimento e o ar que respiram.

O ARAGWAKSÃ é um dia importante para o povo Pataxó, pois nele se reúnem mais de quinze aldeias, os pajés e as lideranças. É um dia de grande confraternização, quando ocorrem os rituais sagrados, cantos, danças, casamentos tradicionais e a prática de modalidades esportivas.

Em 2011, se realizará o décimo segundo ARAGWAKSÃ, resultado de muito trabalho, de uma semente plantada e que está gerando muitos frutos. É um exemplo do que os Pataxó podem fazer juntos e unidos. Conforme explicou Jandaia (Lucélia Alves dos Santos), de 37 anos, que juntamente com sua família foi uma das pioneiras no trabalho de afirmação cultural do povo Pataxó, o ARAGWAKSÃ é uma lembrança dos tempos em que os antepassados resistiram e lutaram em favor do seu povo.

O ARAGWAKSÃ é realizado na Reserva da Jaqueira, lugar que foi criado a partir da necessidade de fortalecer a cultura e vivenciar e praticar os costumes e tradições. Lugar sagrado, onde é possível sentir a força de Niamusú. Onde se escuta o canto dos pássaros, o barulho do vento nas folhas das árvores, onde se pode ver a beleza da floresta. O ARAGWAKSÃ é um momento em que se pode aprender com os mais velhos e ensinar as crianças e todos os que queiram conhecer mais da cultura Pataxó. Ele abre espaço para a vivência da cultura e afirmação da identidade Pataxó com o objetivo de ter uma comunidade fortalecida e mais consciente de sua origem étnica. A realização do ARAGWAKSÃ é, portanto, importante para o compartilhamento dos conhecimentos indígenas por meio de atividades e rituais tradicionais.

Festas de Santos

A Festa de Santos é uma das manifestações em que mais percebemos os processos de contato e troca que os Pataxó viveram ao longo de séculos de um projeto colonialista, numa história que não se baseou apenas na exploração econômica e sujeição política dos territórios.

A Igreja desempenhou papel estratégico nessa tarefa, seja por meio da incorporação de novos hábitos, seja pela proibição de hábitos tradicionais. Além disso, o período pós-colonial também foi marcado por processos de contato e trocas sociais e culturais entre as diversas etnias indígenas e a população não indígena. Inevitavelmente, esse processo influenciou os costumes e tradições dessas populações. Assim, as festas de santo tornaram-se comemorações importantes em muitas aldeias, inclusive nas aldeias Pataxó. Mas é importante levar em consideração que essas festas, assim como outras manifestações da cultura Pataxó, foram reelaboradas por meio de experiências e de valores fundamentais para essa população.

Em Coroa Vermelha, portanto, há a festa dos Santos Reis entre os dias 5 e 6 de janeiro. Uma das principais atividades dessa festa é a brincadeira do reisado que se inicia na segunda semana de dezembro e termina no dia seguinte ao dos Santos Reis com a festa dos foliões. O senhor Pedro da Assunção Miranda, de 56 anos, é um dos pioneiros da brincadeira e atualmente é o “chefe dos mascarados”. Ainda nessa aldeia realiza-se a festa de São Cosme e São Damião nos dias 19 e 20 de setembro.

Na Aldeia Velha, comemora-se o dia de São Benedito, o 27 de dezembro. E em Barra Velha, há a configuração de um ciclo festivo que inicia-se no dia 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição; continua com a comemoração dos Santos Reis; segue para a festa de São Sebastião, nos dias 19 e 20 de janeiro; e finalmente, nos dias 2 e 3 de fevereiro, encerra-se na festa de São Braz, que tem uma característica especial por ser também uma festa de comemoração de uma das famílias mais representativas das comunidades Pataxó, a família Braz.

A festa de São Braz

Comemorada nos dias 2 e 3 de fevereiro, a festa de São Braz surgiu na década de 80, quando seu Zé Coruja, da família Braz, juntamente com sua esposa, Maria Coruja, e alguns amigos como Bidu, Conceição e Luís, se uniram para comemorar essa data e homenagear a família dos Braz. A data já era comemorada em alguns lugares da região, como Arraial d’Ajuda, Itaporanga e Vale Verde, mas eles decidiram fazer uma comemoração especialmente em Barra Velha.

Nas primeiras festas, cada família colaborava com o que tinha: o porco, o cauim, o licor de mangaba e a farinha de puba não faltavam. Hoje em dia, há a escolha do festeiro (que pode ser mais de um) que fica encarregado de fornecer o almoço do dia 2 de fevereiro e as bebidas para todos os foliões e para os sambadores durante os três dias de festa.

As principais atividades da festa de São Braz são: o samba na casa dos festeiros durante todas as noites da festa; o almoço no dia que antecede o dia do santo; e o encerramento no dia 3 de fevereiro, quando todos vão para a mata buscar o mastro de São Braz e passar pelas casas em cortejo, deixando em cada casa um pouco da casca do mastro. “Essa casca deixada na casa leva energia positiva para toda a família. É como se fosse a areia dos pés de São Braz entrando em nossa casa”, explica Urubu Pataxó.

Às 16h, todos participam da subida do mastro e há a entrega do ramo para o(s) novo(s) festeiro(s), quando se canta a seguinte música:

Hoje eu vou/ Eu vou fazer a minha festa/ Se Deus quiser me ajudar/ Sereia, Sereia

Meu senhor São Braz/ Hoje chegou o dia/ Vamos festejar/Com toda alegria

Meu senhor São Braz/ Vem cá, vem ver/ A nossa batalha/ Que não quer vencer

Arrasta, arrasta, índio da floresta (bis)/ Viemos lá da mata pra fazer a nossa festa/ Dando viva e louvor, meu pai guerreiro/ Meu senhor São Braz (bis)

Meu Senhor/ Cadê o licor que não sai/ Eu já comi, já bebi/ E o tira gosto tai

Povo Pataxó. Inventário Cultural Pataxó: tradições do povo Pataxó do Extremo Sul da Bahia. Bahia: Atxohã / Instituto Tribos Jovens (ITJ), 2011. 1. Pataxó – Bahia. 2. Povos indígenas. 3. História. 4. Cultura. 5. Autonomia. I. Coordenação de Pesquisa da Língua e História Pataxó – ATXOHÃ.

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