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Jogos e brincadeiras

quarta-feira 24 de outubro de 2012, por museupataxo

As brincadeiras são constantes no cotidiano pataxó, saiba quais são!

Os Jogos Indígenas, evento realizado na aldeia Coroa Vermelha, anualmente, no mês de abril, tornam concreto o laço de união entre as nações que lutam pelo fortalecimento e manutenção de suas culturas. Eles proporcionam o encontro de várias comunidades, como os Pataxó Hã Hã Hãe, Tupinambá, Kiriri e os Pataxó de Barra Velha, Trevo do Parque, Mata Medonha e Aldeia Velha.

É uma maneira de manter e valorizar a cultura Pataxó para que essa nunca se acabe e para que passe de geração em geração. Nos jogos, há as modalidades de arco e flecha, natação, patw miwka’ay, arremesso de takape, canoagem, cabo de guerra, corrida com maracá, corrida com tora e bodoque, que podemos melhor detalhar a seguir:

Cabo de guerra: Esse jogo é disputado por dezesseis índios, sendo dois grupos de oito homens de cada aldeia participante. Ganha o grupo que conseguir arrastar os adversários primeiro, puxando uma corda. Esse jogo exige muita força e resistência, por isso os índios treinam o ano todo para que no dia jogos eles estejam preparados.

Zarabatana: é uma arma de caça que os Pataxó usam para caçar animais de pequeno porte, como pássaros. A zarabatana é feita com uma vara de bambu com dois metros de comprimento onde se coloca uma pequena flecha com a ponta muito afiada que é soprada pelo índio. O jogo da zarabatana é disputado por dois índios de cada aldeia, sendo um homem e uma mulher. Cada participante tem três chances para acertar o alvo em forma de peixe. Ganha aquele que conseguir marcar mais pontos.

Arremesso de takape: o takape é uma arma de guerra usada pelos Pataxó nos seus confrontos com outros povos. O takape é feito com uma vara de pati (palmeira), em que é colocada uma ponta de osso muito afiada. Essa arma mede aproximadamente dois metros de comprimento. Nos jogos indígenas, o arremesso de takape é disputado por dois participantes de cada aldeia, sendo um homem e uma mulher. Ganha o participante que arremessar o takape mais longe.

Corrida de maracá: a corrida de maracá surgiu na Aldeia Velhaem 2005, no primeiro Intercâmbio realizado nesta aldeia. Foi através de uma brincadeira feita pelas crianças, liderada por Tuhutahy e Paty. Nos jogos, a corrida de maracá é disputada por dois grupos de cada aldeia, sendo um grupo feminino e um grupo masculino. Os participantes devem correr com o maracá na mão até o ponto estipulado, fazer a volta e entregar o maracá na mão do próximo participante. Ganha o grupo em que todos os participantes concluírem o trajeto primeiro.

Corrida de tora: tradicionalmente, os Pataxó sempre estiveram em confronto com outros povos, por isso a corrida de tora era usada como um teste para saber se o kacuçu (homem) estava preparado para casar. O kacuçu tem o dever de carregar uma tora com o peso da sua jokana (mulher) até uma determinada distância, porque ele tem o dever de ajudála caso ocorra algo com ela na mata. Hoje, a corrida de tora também é uma das modalidades dos jogos indígenas. Ela é disputada por dois homens de cada aldeia. Eles ficam a uma determinada distância um do outro, um deles corre com a tora até o participante que está do outro lado e faz a passagem da tora para o outro retornar ao ponto inicial. Ganha quem fizer o trajeto mais rapidamente.

Também existe o projeto Jogos e Brincadeiras Pataxó, que surgiu a partir da ideia de professores e coordenadores da Escola Indígena Pataxó de Coroa Vermelha, entre os anos de 2009 e 2010. Nesse projeto trabalham-se temas transversais envolvendo todas as disciplinas das séries iniciais e fundamental I e II, divididas por unidades.

Esse trabalho conta com o envolvimento e participação de alunos, pais e professores, ou seja, da comunidade em geral, visando à realização de pesquisa pelos alunos das brincadeiras que seus pais mais gostavam e brincavam. Desse primeiro levantamento, destacaram-se brincadeiras com as bonequinhas de milho, bonequinhas de pião, panelinha de argila, pelotas de barro, bonecas de pano, carrinhos de coco e animais de barro.

O projeto teve orientação da professora Clélia Cortez, especialista em Educação e Metodologia Indígena. Esse trabalho é feito em decorrência da Semana de Exposição da Escola Indígena e aberto à visitação às demais escolas não indígenas circunvizinhas e região.

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