conheça a Reserva
Página inicial > Época atual > Organização Social e Política

Organização Social e Política

O povo Pataxó constitui família, normalmente, com idade entre quinze e dezesseis anos e, de modo geral, essa família tende a ser grande, tem entre 10 a 12 filhos. Cada unidade familiar possui sua casa e trabalha para o seu sustento, contudo, mantém vínculos importantes com os pais e outros parentes, seguindo as mesmas tradições de fazer artesanato, comidas tradicionais, etc.

Desse modo, em relação à organização interna, embora cada grupo doméstico se constitua de maneira autônoma em relação aos demais, é importante considerar as relações de parentesco, fundamentais na constituição das redes de cooperação e solidariedade – horizontais ou verticais – sobretudo no que concerne à sustentabilidade econômica de cada unidade. Estas redes correspondem, em geral, a famílias extensas ou a conjuntos de famílias extensas, e a abrangência delas tende a extrapolar os limites estritos da comunidade local. Contudo, estas famílias estão subordinadas a lideranças políticas e econômicas locais, o que contribui para uma plena caracterização da aldeia como principal pólo político Pataxó. Mas isso não significa que exista uma “unidade” política nas aldeias; ao contrário, assim como há heterogeneidade social, existem grupos opostos e concorrentes.

As três aldeias adotam um regime político regido por um cacique, que é o líder geral, e as lideranças e conselheiros, que são os seus auxiliares e cuidam dos problemas relacionados à comunidade. São eles que buscam desenvolver e promover políticas que deem condições para sanar as necessidades existentes no cotidiano da comunidade.

Não existe periodicidade pré-estabelecida, nem forma de eleição definida para a escolha das lideranças Pataxó de cada aldeia. O modo como se organizam politicamente decorre do grau de satisfação da comunidade em relação às lideranças: se a comunidade não estiver satisfeita, ela se reúne e propõe uma nova liderança para a aldeia. Atualmente, na aldeia Barra Velha, a liderança política é o cacique Romildo; na aldeia Coroa Vermelha, é o cacique Aruã; e na Aldeia Velha, o cacique Urubaia.

As expressões de uma “unidade” política e social nas aldeias só ficam evidentes no contexto de suas relações com a sociedade não indígena, no qual a condição de indígena desempenha um papel fundamental. No caso, como grande parte das aldeias Pataxó foram configuradas a partir da diáspora ocorrida em 1951, é possível considerar que elas compõem com Barra Velha um conjunto político e social que, apesar de disperso, vêm se rearticulando formalmente em encontros regulares, motivados pelo resgate de uma história comum, de aspectos culturais e de relações de parentesco e pela luta por direitos e territórios. Nesse âmbito, em 1998, foi criado o Grupo de Pesquisa da Língua e História Pataxó (ATXOHÃ) e, em 2010, foi criada a Federação Indígena das Nações Pataxó e Tupinambá do Extremo Sul da Bahia (FINPAT), antecedida pela Frente de Luta e Resistência Pataxó e pelo Conselho de Caciques.

É importante destacar também a existência de associações que auxiliam no trabalho de luta por direitos e promoção de ações para melhoria das condições de vida da população em todas as três aldeias pesquisadas. Em 2011, as associações atuantes nas comunidades são a ASPECTUR (Associação Pataxó de Ecoturismo), a ACIBAVE (Associação da Comunidade Indígena de Barra Velha), a Associação de Ecoturismo Pataxó de Aldeia Velha e a ACIPACOVER (Associação Comunitária Indígena Pataxó de Coroa Vermelha).

ComentarComentar

O3Spaces-3 O3Spaces-3 O3Spaces-3 O3Spaces-3