conheça a Reserva
Página inicial > O Atxohã > Sobre o Atxohã

Sobre o Atxohã

SOBRE A COORDENAÇÃO DE PESQUISA DA LÍNGUA E HISTÓRIA PATAXÓ – ATXOHÃ

O Grupo de Pesquisa da Língua e História Pataxó – ATXOHÃ, foi o responsável pela pesquisa que consolidou o "Inventário Cultural Pataxó: tradições do povo Pataxó do Extremo Sul da Bahia". Sendo um parceiro imprescindível no resgate e preservação da Cultura Pataxó

Pataxó, povo que tinha grande habilidade em atirar flechas. Na mata, sabia se defender como ninguém. Povo guerreiro que após séculos de contato forçado com os não indígenas ainda mora em aldeias – muito diferentes das de antes, é claro, até porque era nômade – e ainda preserva muitas lembranças do passado de luta e permanece lutando bravamente para continuar a existir enquanto povo.

Alguém pode até ficar pensando: por que um povo considerado agressivo foi convencido a deixar de lado sua cultura, sua língua e suas tradições? Será que foi vencido pelas perseguições diversas, calou, cansou da luta e abandonou valores e ideais? E até mesmo poderão afirmar: a língua pataxó está morta. Pataxó deixou sua língua para lá e aprendeu a língua do colonizador, e por aí vai.

Não é verdade. Para entendermos porque a língua pataxó ficou adormecida, é importante lembrar e considerar várias coisas. Porque a nossa língua não foi perdida como dizem. A língua pataxó está no nosso dia a dia. Tentaram tirar o direito de continuarmos falando a nossa língua. Fomos aldeados à força, mas nem tudo foi perdido de nossa língua antiga! Pois com a ajuda resistente dos mais velhos, foi possível preservar nas memórias musicais e no uso diário uma quantidade de palavras de grande valor para nós.

A língua que falávamos antigamente, com certeza, é da família de línguas Maxakali, pertencente ao tronco Macro-Jê. Ainda hoje é possível fazermos comparação de sons e significados iguais entre as duas línguas. Podemos afirmar então que havia semelhanças não só nas línguas, mas também nos costumes desses povos.

Há pouco tempo atrás, nós, educadores e lideranças Pataxó, preocupados em manter o nosso jeito de ser Pataxó e afirmar nossos costumes, nos convencemos de nosso papel de organizadores de nossa sociedade e passamos, de forma independente, a fazer estudos mais detalhados sobre nossa língua.

Sabemos das dificuldades e das limitações que enfrentamos no trabalho com a língua Patxohã, se assim podemos chamá-la. Mas acreditamos que ao tentar fazer a revitalização da língua Pataxó estaremos sempre pensando no nosso jeito de ser Pataxó. Não porque achamos que para alguém ser índio é preciso saber falar uma língua indígena. Acreditamos que a língua é importante porque ela carrega muitos segredos e valores de um povo. A língua leva um povo a fazer mais resistência às mudanças de costumes – isso é verdade.

Desde 2003, estamos usando a escola, nas aldeias Barra Velha e Coroa Vermelha, para começar a fazer um trabalho de reaprendizado de nossa língua Pataxó e temos tido ótimos resultados. Temos sempre a cobrança de pessoas de outras aldeias Pataxó pedindo para ajudá-los a começar a ensinar a língua indígena na comunidade. Muito nos anima, pois sabemos que não basta só trabalhar a língua na escola. É preciso que seja usada no dia a dia da comunidade, valorizada. Para que a língua patxohã ganhe vida e significado novamente é preciso que todos na aldeia colaborem neste processo.

Sabemos o que queremos: preservar a nossa língua. Para nós, está lançado o desafio. Tem gente por aí que acha que é impossível. Nós, Pataxó, acreditamos.

COORDENAÇÃO DE PESQUISA DA LÍNGUA E HISTÓRIA PATAXÓ – ATXÔHÃ

Pesquisadores:

Logo Grupo Atxôhã

2 Mensagens de fórum

  • Sobre as línguas indígenas 28 de setembro de 2014 09:36, por Pedro Daniel

    Observei que, nos discursos construídos, é muito forte a relação entre língua e identidade. Talvez o grande motivador para a revitalização da língua Patxohã. De fato, o processo de assimilação proposto por Pombal ía justamente nessa direção: impor a língua portuguesa era impor a cultura branca, europeia. Estou muito feliz com esta iniciativa e gostaria, na medida do possível, de contribuir para esse processo de reafirmação identitária. Meu nome é Pedro e sou professor da UNEB-Eunápolis. Mais recentemente, tenho me ocupado aos estudos sobre a inserção das populações indígenas brasileiras no mundo da cultura escrita, a partir de documentos da América portuguesa. E refletir sobre suas consequências na contemporaneidade, considero vital para uma reconstrução dessa história.

    Comentar

  • Sobre o Atxohã 21 de outubro de 2014 17:52, por Magali

    A luta das tribos indígenas brasileira para não perder sua identidade nunca vai deixar de existir. Esta luta deveria ser de todos nós brasileiros, pois não devemos negar nossas origens. Resgatar nossa história é buscar no fundo do baú a nossa identidade, nossas raízes.Sou professora de escola pública de Salvador-Bahia e estamos neste momento trabalhando o Projeto Índios, Negros e Brancos.Meu grupo de alunos está pesquisando sobre os pataxós no Nordeste Brasileiro. Me sento muito feliz em conhecer essa fonte riquíssima de nossa história. Meu nome é Magali Vasconcelos

    Comentar

ComentarComentar

O3Spaces-3 O3Spaces-3 O3Spaces-3 O3Spaces-3